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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Baixinhos perdem espaço

As brincadeiras dos ‘meninos da vila’ chamam atenção pela irreverência e desproporção de altura entre a maioria e o atacante Madson Santos, 24 anos de idade completados em maio passado. Esse carioca do elenco santista, habituado a condição de reserva desde os tempos de Vasco da Gama, mede 1,59m de altura, estatura raramente observada nos atuais jogadores do futebol brasileiro. Isso contrasta com décadas passadas quando tamanho ‘não era documento’ para se pleitear vagas em elencos.

Na década de 60 surgiu para o futebol o rápido e habilidoso ponteiro-direito Ratinho, de 1,63m de altura. Como ele fazia salseiro pelo setor nas passagens por clubes catarinenses como Joinville e Marcílio Dias, a Portuguesa foi buscá-lo em 1965, e a sua torcida não cansou de aplaudi-lo.

Na Lusa, Ratinho jogou em companhia do zagueiro e volante Ulisses, falecido em maio passado, vítima de infarto. Ambos participaram do time de 1968 formado por Félix; Zé Maria, Jorge, Marinho Perez e Augusto; Ulisses e Lorico; Ratinho, Leivinha (Basílio), Ivair e Rodrigues.

As atuações convincentes premiaram Ratinho com a lembrança do nome entre os 40 pré-relacionados pela comissão técnica à Copa do Mundo de 1970, no México. Dois anos depois trocou a Portuguesa pelo São Paulo, e o encerramento de carreira foi no Joinville em 1978.

Justamente quando passou a dedicar mais tempo à família, e profissionalmente se identificava como o empresário Heitor Martinho de Souza, morreu tragicamente após colisão frontal com envolvimento de seu veículo Gol, que se transformou num amontoado de lata retorcida. A motorista de um automóvel Golf perdeu a direção e invadiu a pista contrária em uma curva de uma estrada que dá acesso ao Balneário Barra Sul, de Santa Catarina. Resultado: dos passageiros no veículo dirigido por Ratinho, o único sobrevivente foi seu filho Heitor Martinho de Souza Filho, hoje com 33 anos de idade. O balanço foi de seis mortos, cinco deles da família do ex-jogador: ele, esposa e três netos. O acidente ocorreu no dia 11 de fevereiro de 2001.

Dois outros exemplos de jogadores baixinhos que brilharam no futebol são o meia Edu - irmão de Zico- e Osni, ponteiro-direito que brilhou no Bahia de 1978 a 1985. Eduardo Antunes Coimbra marcou 212 gols apenas com a camisa do América (RJ) e entrou para a história do clube como um dos maiores craques de todos os tempos. Com 1,64m de altura e canela fina, entortou adversários de 1966 a 1974 no clube ‘vermelhinho’. Depois ainda passou por Vasco e Bahia antes de encerrar a carreira.

Osni Lopes, hoje radicado em Salvador (BA), tem estatura inferior a Madson: 1,56m de altura. Desabrochou no Vitória (BA) em 1971, e lá ficou durante cinco anos. Transferido para o Flamengo, sequer completou duas temporadas no Rio de Janeiro e já retornou à ‘boa terra’, só que na ocasião no rival Bahia, com os mesmos dribles e arrancadas fulminantes.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br  

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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