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O campeão na panela
Saudosista que sou, estou enviando uma história para
relembrar um grande amigo: um galo de briga. Seu nome, Preto.
Ele foi presente de aniversário e chegou às
minhas mãos aos 6 meses de idade. Um ano depois, já
era um campeão imbatível, graças a muitos
treinos e alimentação adequada. Destruiu todos
os galos caseiros da região e supostos campeões
das rinhas que ousaram atravessar seu bico e esporas.
Gozava de respeito e medo. Porém, seu reinado de campeão
durou pouco.
Um dia, escapou da gaiola em que vivia preso (fera não
pode e nem deve ficar solta). Livre, destruiu o vizinho galinheiro
pegado à sua
cela matando o pacato e velho carijó da nossa casa.
Capturado pela empregada, foi sentenciado pelos pais ao sacrifício.
No almoço daquele dia, a carne dura do galo de briga
foi a única vingança do menino, que na pressa
de ir para a escola, cuidou rápido mas se esqueceu
de fechar direito a gaiola do amigo.
Depois deste acontecimento abandonei a briga de galo. Hoje
em dia, maduro e vivido, às vezes me lembro deste companheiro
e da piada que sempre era dita nas rinhas.
Chegou uma vez um curioso e sem saber em quem apostar perguntou:
- Dos 2 galos, qualé o bom?
- O vermelho.
Iniciou a luta e no final o vermelho foi morto.
O curioso:
- Pô, você me disse que o bom era o vermelho!!!
- Disse e era. O malvado é o Preto!
Epaminondas Belo
Ex-treinador de rinhas
22/02/02
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